terça-feira, 25 de agosto de 2026

TITAN

 “Quem me vê assim, cantando, não sabe nada de mim. Dentro de mim mora um anjo…”

“Et j’ai calmé ma violence”

Me apaixonei por um cavalo. 

Como poderia não me apaixonar? Nossos olhos se ligaram de longe, senti que me chamava para correr. Que ser maravilhoso! Senti uma conexão imediata, uma comunicação difícil de descrever, uma conversa de alma. Estávamos ambos aparentemente presos a pequenos arreios, na verdade facilmente removíveis, com um simples sacudir de cabeça. 

Nem sempre a paixão é assim, pode ascender num toque, num beijo, numa conversa. Nossa conexão ascendeu no olhar. Um ponei! Branco, doce, um olho enorme, preto como os meus. Não era um cavalo grande, nem um pónei pequenino, como, na minha ignorância, imaginava que todos os póneis seriam. Tinha a altura perfeita, seus olhos estavam na altura dos meus. Me aproximei e lhe toquei a crina. Tive medo e, num susto, mordi o arreio. Eu estava presa. Mais do que ele, eu estava amarrada. Ele se afastou rapidamente, rolou no chão, tomou um bom banho de areia, se esfregou na Terra. É assim? Lembrei da sensação de entrar num rio, de caminhar descalça na areia, mergulhar no mar, me banhar de floresta. Tirei os sapatos e dancei pra ele. O arreio não existia mais.


Nenhum comentário: