“Quem me vê assim, cantando, não sabe nada de mim. Dentro de mim mora um anjo…”
“Et j’ai calmé ma violence”
Me apaixonei por um cavalo.
Como poderia não me apaixonar? Nossos olhos se ligaram de longe, senti que me chamava para correr. Que ser maravilhoso! Senti uma conexão imediata, uma comunicação difícil de descrever, uma conversa de alma. Estávamos ambos aparentemente presos. Ele tinha um arreio, pequeno, uma corda presa à boca, facilmente removíveis, bastava sacudir a cabeça.
Nem sempre a paixão é assim, pode surgir num toque, num beijo, numa conversa. Nossa conexão ascendeu do olhar. Um ponei! Branco, doce, um olho enorme voltado para mim, preto como os meus. Não era um cavalo grande, nem um pónei pequenino, como, na minha ignorância, imaginava que todos os póneis seriam. Tinha a altura perfeita, seus olhos estavam na altura dos meus. Me aproximei e lhe toquei a crina. Tive medo e, num susto, mordi o arreio. Eu estava presa. Mais do que ele, eu estava amarrada. Pedi que lhe tirassem o arreio e me sentei no chão, na sua frente. Chorei quando ele se aproximou. Recuei. Ele se afastou rapidamente, rolou no chão, tomou um bom banho de areia, se esfregou na Terra. É assim? Lembrei da sensação de entrar num rio, de caminhar descalça na areia, mergulhar no mar, me banhar de floresta. Tirei os sapatos e dancei pra ele. De repente, o arreio não existia mais.
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